domingo, 6 de maio de 2012

Vida corrida.

Outro dia mesmo começava o ano e já ouvi, aqui, que estamos quase no meio dele. E o pior é que é verdade.

O que me consola é que sempre dá para aprender algo novo, como por exemplo, uma coisa que eu juro que não sabia: o coletivo de borboleta. Você sabia que é "paná-paná"? Pois é, nunca ouvi ninguém dizer: "veja, um paná-paná!"

Também gostei de dar risada com um vídeo bizarro, no Youtube, que explodiu de sucesso, sem que eu entendesse o por quê, mas pouco importa, eu dei risada também. Sim, o tal do "Pra Nossa Alegria", cantado por uma família de evangélicos, acho, desafinadíssimo... e colocam a culpa no menino do violão, que com sua cara de pau, resolve berrar o refrão. Gente, tem um milhão de covers do negócio.

Fico a pensar... como é engraçada a humanidade tem hora.

Eu mesmo resolvi gravar uma história de 20 segundos usando um aplicativo do iPhone, aquele do cachorrinho sentado lendo jornal. Coloquei voz no bicho, como muitos fazem. Na minha história, ele confessava que foi quem atirou o pau no gato, xingando a tal da dona Chicacá, "uma falsa" que depois que mandou o cachorro fazer isto ficou toda arrependida. Qual não foi meu espanto quando, um mês depois de publicado no Youtube, vi que mais de 220 mil pessoas acessaram essa brincadeira e colocaram comentários engraçados. Gostaram! Que coisa, isso.

Por falar em novidades, ouvi esta do meu filho: "sabe o que a bactéria disse ao chegar no pet-shop?" Fiquei pensando no que uma bactéria poderia querer em um pet-shop além de infectar os bichos. A resposta: "mitose".

Eu, que costumo dizer que são poucas as coisas que hoje me espantam (o que é perigoso, sinal de velhice, pois minha avó dizia isso e morreu há tanto tempo), espantei-me semana retrasada com as belezas do México, mais exatamente, com a beleza de Teothiuacán, a cidade das pirâmides, a alguns quilômetros da capital. Foi muito bom ir, fotografar, comprar esculturas de obsidiana (cujo nome levei duas semanas para aprender). Foi bom tomar sangrita, uma mistura, dentro da boca, de suco de tomate, suco de limão e.. tequila. Um tiro. Fora as margueritas. Acho que bebi em um dia o que não bebi o ano de 2011 todo. Quero registrar também a emoção quando vi de perto a Virgem de Guadalupe. É de emocionar, mesmo a um como eu. Fiquei fã, ou devoto, como desejem.

Agora, o que tem me tomado mesmo o tempo é o trabalho. Desculpem-me os reclamões da segunda-feira, mas que estranho... eu gosto de trabalhar, verdade. Sou anormal.
Dou meus cursos, participo dos workshops, curto as avaliações, fazer amizades. É legal.
Venho sentindo que meu tempo está cada dia correndo mais e chegando mais perto o paredão da aposentadoria. Não gostaria de parar. Aceito sugestões.

Depois desse resumo das coisas que me tocaram nos últimos dias, atrevo-me a dizer que ando enjoado de facebook e de temas como cachoeirices e corrupções. Vi, andando por aí, que existem milhões de esquemas corruptos aqui e fora daqui e que o Brasil não é o pior lugar nesse aspecto, apesar da barra ser pesada. Assim, me canso de ouvir que o problema é nosso. Não é, é global. O que se precisa fazer é combater sem dó, nem preguiça. Mas não estamos sozinhos nessas coisas não, nem de longe. Nem de perto.

E fui.

sábado, 7 de abril de 2012

O QUE QUE EU VOU DIZER EM CASA



Não, não inventei o programa O QUE EU EU VOU DIZER EM CASA. Tudo bem, coloquei o título, redigia, dirigia, gravava e editava, além de escolher os malucos que iriam gravá-lo comigo. Para quem não se lembra ou não sabe (o que é plenamente normal para os nascidos depois de 1980 e os não-moradores de Barbacena), esse programa foi um marco. Sem modéstia.

Como muitos têm ciência, fui um dos fundadores da FM SUCESSO, a primeira FM da região da Mantiqueira. Até então, nossa gente, naqueles idos de 1985, só conseguiam sintonizar a FM de Juiz de Fora. Som local mesmo, só de AM. Nada contra, comecei lá e gostaria de terminar lá também, mas quando se fala em som, principalmente naqueles idos, o caminho era FM.

Depois de muita, mas muita luta e muitos anos, o Hélio Costa conseguiu, enfim, colocar no ar sua sonhada rádio e eu estava lá, fazendo parte da história. E como se tratava do Hélio, vindo da Rede Globo, ex-diretor do escritório da platinada em Nova Iorque, aparições no Fantástico há mais de uma década com as mais empolgantes reportagens sobre ciência, o que não faltava nele era vontade de fazer coisas diferentes.

Depois de nos desafiar para criar a Retrospectiva do Ano (e que fizemos virar show), ele veio com mais uma: um programa no carnaval que retratasse as ocorrências policiais com humor, no estilo de A CIDADE CONTRA O CRIME, que a Rádio Globo apresentava todo dia.

Proposta colocada sobre a mesa, parti para a ideia. Chamei alguns malucos como eu, contadores de piada, imitadores e criadores de personagens. Arrisco-me a dizer que, de todos os convidados, o menos maluco era eu. Dinheiro para isto? Nenhum. O projeto que me coube não contemplava isto. Naquela época, aos vinte e poucos anos anos, o que eu queria era manter meu salário e acho que todos pensavam o mesmo.

No começo, nem patrocínio tinha. Posteriormente, devido à alta audiência (sério, tinha muita), conseguimos, por osmose, sem fazer força, um patrocinador exclusivo, que ajudava a pagar algumas despesas. Alguns participantes se metiam a fazer camisetas do programa para vender, só para divulgar. Lucro mesmo, pouco.

Só que aquilo dava um prazer incomensurável. O primeiro programa foi ao ar no carnaval de 1986, repetindo-se anualmente até 2003, creio. Os últimos já não tinham a minha participação.

Meu carnaval era esse programa, que ia ao ar de sábado à quarta-feira de cinzas, edição inédita às cinco da tarde e reprise ao meio dia do dia seguinte. Essa de repetir ao meio-dia foi ideia minha, porque dava um trabalhão danado editar aquilo tudo, desde as locuções, efeitos especiais, ruídos feitos dentro do estúdio, palavrões, tudo para transformar vinte minutos de programa em uma coisa engraçada.

Participaram comigo, entre um ano e outro do programa, os seguintes radialistas de humor irreverente: Tarcísio Santos (o Zé Rural), Gê Menezes, Pedro Gurgel, Cristovam Abranches, Sílvio Freitas, Jorge Velludo (o Tio Max), Evandro Voz de Paulo Francis, Rodrigo Madeira (o seu Janú), Jackson Nascimento, Zé Rubens, Ricardo Salim e Rogério Barbosa. Se me esqueci de alguém, queiram perdoar, faz muitos anos isto. No início a edição era feita pelo Toinzinho (Tom Mix), mas acho que a loucura era tanta que ele passou o estilete para mim.

Explico: a coisa não era digital como hoje. A edição era feita em gravador de rolo, utilizando caneta pilot, fita adesiva e estilete.  Eu ouvia cada trecho, colocava no modo de edição, rodava o rolo pra frente e pra trás a fim de tirar ruídos, buracos, conversas em off e inserir algum efeito ou música. Daí era cortar a fita em dois locais, retirar o excesso e colar uma ponta na outra com uma fita adesiva especial. Aprendi a editar de forma tão rápida, mas tão rápida, que às vezes cortei os dedos. É, dei meu sangue por esse programa...

O problema era entrar no ar exatamente às cinco. Era um tal de entrar atrasado, depois do intervalo comercial...É que começávamos a gravar por volta da uma da tarde, terminávamos a besteirada por volta das três e meia e tínhamos pouco mais de uma hora para transformar aquele monte de coisa lida aos gritos em alguma coisa limpa. Dava trabalho editar e por isto sugeri repetir a edição no dia seguinte ao meio dia, para valorizar. Fez sucesso. A do meio-dia, pelo menos, sempre saía pontualmente.

A redação eu mesmo fazia, com apoio dos amigos. Vinha um boletim da polícia militar, cópia do que o Soldado Valério lia na rádio, contendo as ocorrências do dia anterior: bebedeiras, tombos, brigas, bebedeiras, confusões, empurra-empurra, bebedeiras, furtos, roubos, facadas, bebedeiras e mais bebedeiras.

Depois de criado o roteiro (que eu começava a redigir de manhã), onde eu sugeria as encenações necessárias, vozes, paródias, poesias e músicas malucas, íamos (sem bebedeira alguma) para o estúdio. Terminada a gravação, o Toinzinho saía e me deixava às voltas com os rolos e rolos de fita pra editar.

O primeiro programa, lembro-me até hoje, foi um misto de apreensão e alegria. Fiquei no lado de fora da rádio esperando entrar no ar algo que não sabia se ia dar certo. O Hélio, com seu rádio de pilha e fone de ouvido, ficou por ali esperando para ouvir o que nem nós, nem ele, tínhamos feito na vida.

Quando o vi, sentado lá fora, dando gargalhadas até as lágrimas, tive certeza que deu certo. Daí pra frente, a liberdade de criação tomou conta e o que era para ser um programa policial com toque humorístico virou um programa de humor baseado em eventuais ocorrências policiais que apareciam ou a gente mesmo inventava, na falta de coisas mais criativas acontecerem. Ou era briga, ou era bebedeira ou eram as duas coisas. Aliás, se não fosse a cachaça, não teríamos matéria-prima.

A cara do humorístico mudou muitas vezes. No início, o prefixo era aquela música do Ultraje a Rigor, Cafajestes do Brasil. Depois passamos a usar outro, do Casseta e Planeta, "Eu tou Tristâo". Esse soltava um verdadeiro palavrão..."eu tou tristão, tou sofrendo pra c..."

Depois de uns três anos usando esse prefixo e ninguém falar nada (cheguei a pensar que ninguém ouvia), o gerente da rádio, Sr. Zezinho, irmão do Hélio, ouvindo-me editar, ficou horrorizado: "mas vocês colocam esse palavrão no ar?" Fazer o quê... já que fui questionado, o melhor foi responder a verdade: "quê isso, sô Zezinho, eu edito".

Uma das coisas mais engraçadas que aconteceu foi o lance do "mistral". Estávamos fazendo uma sátira sobre os banheiros químicos que a prefeitura colocou na praça e que viviam entupidos, provocando mais fedentina que as ladeiras urinárias da cidade. Ocorre que banheiro químico é pra fazer chichi, não para o número dois. Só que não contaram isso para alguns foliões, que, depois da cachaçada, usavam aquelas geladeiras azuis para se aliviar por cima e por baixo, aliás, por todos os orifícios que possuíam.

Pois fomos satirizar isso. No estúdio havia um tubo de desodorante daquela antiga marca "Mistral", que servia para molhar as faixas dos discos e eles tocarem sem aquele ruído.  Para fazer o som de alguém urinando no banheirinho químico, nos valemos de uma chaleira que havia por lá e uma lata de goiabada. Enchíamos a lata com a água proveniente da chaleira, enquanto gravávamos o som caindo no fundo da lata... “ aaahhhh... que bom fazer um chichizinho”... alguém, não sei quem foi, colocou o tubo de desodorante dentro da chaleira e o danado caiu na lata fazendo um ploft característico de número dois. E um gaiato, em plena gravação, soltou esta: “aaahhhh... como é bom soltar o mistral”... pronto, pegou. Colocamos isso no ar e as pessoas, na cidade, só falavam isto: “vou ali fazer um mistral e já volto.”

Uma das coisas que mais marcou o programa foi A CASA FIRMINO. Era uma propaganda fictícia, inventada pelo hoje Zé Rural por acaso, como muitas coisas boas são inventadas. Estava ele imitando um locutor de voz desanimada que havia na cidade, apregoando artigos totalmente incongruentes de uma certa loja que existia na cabeça dele.

Como ele tem por sobrenome FIRMINO, criamos uma loja com o mesmo nome:CASA FIRMINO, TUDO PRA VOCÊ, PRA MUIÉ E PRO MININO... e o Tarcísio, com um fundo musical desafinando, após ser apresentado entusiasticamente por mim, entrava horrorosamente desanimado: “oi gente, cá estamos nóis travês procêis, com a CASA FIRMINO, TUDO PRA VOCÊ, PRA MUIÉ E PRO MININO... temos ogiva nuclear, sandália havaiana, arroz, feijão, Passat, Voyage e supositório de pimenta...” 

Um comerciante local, de muita tradição, cuja loja era um arremedo de Casa Firmino, chegou a nos procurar para patrocinar a coisa. Disse: “mas vocês copiaram meu estoque todo, assim não vale”.

Um dia, um capitão da PM foi à rádio e pediu para ouvir o programa. Pensei: “hoje saio daqui preso”. Foi depois da estreia do programa. Claro que uma coisa assim, tão irreverente, no interior de Minas, anos oitenta, era para provocar reação. O capitão ficou ali, na redação, ouvindo tudo, acho que segurando o riso. A uma certa altura levantou-se, apertou minha mão, disse que estava tudo bem e saiu. Acho até hoje que foi rir lá fora.

Outro dia coloquei essa foto na comunidade Loucos por Barbacena, no Facebook. Li comentários de pessoas que não conheço, mas que me alegraram muito o coração. Chegaram a dizer que o programa lhes marcou a infância e adolescência.

São essas coisas que marcam. São essas marcas que alegram o coração das pessoas que nos fazem sentir, dentre outras tantas coisas, que vale a pena passar pela vida.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O PARADOXO DE NOSSO TEMPO - George Carlin

Recebi esse texto do amigo
José Helvécio.
 
 

Nós bebemos demais, fumamos demais, comemos demais, gastamos sem critérios,
dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e oramos raramente.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho.
Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos. Planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar. Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos. Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na despensa.

Lembre-se de passar mais tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão aqui para sempre.
Lembre-se de dar um abraço carinhoso num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer.
Lembre-se de dizer "eu te amo" à sua companheira (o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, ame... mais, ame muito.
Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm lá de dentro.
O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas querer tudo que você tem!

Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado.

 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

MANUAL PARA UM POUCO DE FELICIDADE

Recebi esse texto hoje. Conceição Teixeira me enviou. Só uma amiga assim para acertar tão em cheio com o momento.

Não sei quem escreveu, pode ter sido ela, pois escreve muito bem.

Só que não assinou... acho que está tímida. De qualquer forma, agradeço pelo envio de tão belo texto.


MANUAL PARA QUE VOCÊ SEJA MAIS SAUDÁVEL E FELIZ EM 2012

Saúde:

1. Beba muita água, menos açúcar e menos sal
2. Durma 8 horas por dia;
3. Coma o que nasce em árvores e plantas, e menos comida produzida em fábricas;
4. Viva com os 3 E's: Energia, Entusiasmo e Empatia;
5. Ande de bicicleta;
6. Brinque com seus irmãos, filhos e netos;
7. Leia mais livros do que leu em 2011;
8. Sente-se em silêncio pelo menos 10 minutos por dia;
9. Arranje tempo para orar;
10. Faça caminhadas de 30 minutos por dia, e enquanto caminhar sorria.

Personalidade:

11. Não compare a sua vida a dos outros. Ninguém faz ideia de como é a caminhada dos outros;
12. Não tenha pensamentos negativos ou coisas de que não tem controle;
13. Não exceda. Mantenha-se nos seus limites;
14. Não se torne demasiadamente sério;
15. Não desperdice a sua energia preciosa em fofocas;
16. Sonhe mais e faça planos
17. Inveja é uma perda de tempo.
18. Esqueça questões do passado. Não lembre seu parceiro dos seus erros do passado. Isso destruirá a sua felicidade presente;
19. Não odeie.
20. Faça as pazes com o seu passado para não estragar o seu presente;
21. Ninguém comanda a sua felicidade a não ser você;
22. Tenha consciência que a vida é uma escola e que está nela para aprender. Problemas são apenas parte do curriculum, que aparecem e se desvanecem como uma aula de álgebra, mas as lições que aprende, perduram uma vida inteira;
23. Sorria e gargalhe mais;
24. Não necessite ganhar todas as discussões. Aceite também a discordância;
Sociedade:
25. Entre mais em contato com sua família e amigos;
26. Dê algo de bom aos outros diariamente;
27. Perdoe a todos por tudo;
28. Passe tempo com pessoas acima de 70 anos e abaixo de 6;
29. Tente fazer sorrir pelo menos três pessoas por dia; até os seus colegas de trabalho
30. Não te diz respeito o que os outros pensam de você;
31. O seu trabalho é UMA parte da sua vida

A Vida:

32. Faça o que é correto;
33. Desfaça-se do que não é útil, bonito ou alegre;
34. Agradeça sempre;
35. Por muito boa ou má que a situação seja.... Ela mudará
36. Olhe-se nos espelho e diga: - Eu posso !!!!
37. O melhor ainda está para vir;
38. Assim que acordar espreguice, estique o corpo e tenha um pensamento positivo
39. Mantenha seu coração sempre feliz.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Mais um texto que não é meu, mas que achei por bem reproduzir aqui

Tá Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arruda? do Sarney? do Collor? Do Renan? do Palocci? do Delubio? Da Roseanne Sarney? Dos politicos distritais de Brasilia? do Jucá? do Kassab? dos mais 300 picaretas do Congresso?




Brasileiro Reclama De Quê?

O Brasileiro, muitas
vezes, honrando as exceções que a cada dia, graças a Deus,
aumentam, tem um comportamento mais ou menos assim:

1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.

2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.

3. - Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.

4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.

5. - Fala no celular enquanto dirige.

6. -Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.

7. - Pára em filas duplas, triplas em frente às escolas.

8. - Viola a lei do silêncio.

9. - Dirige após consumir bebida alcoólica.

10. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.

11. - Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.

12. - Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.

13. - Faz "gato" de luz, de água e de tv a cabo.

14. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.

15. - Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.

16. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.

17. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.

18. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.

19. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.

20. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.

21. - Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.

22. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.

23. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.

24. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.

25. - Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.

26. - Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.

27. - Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.

28. - Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.

29. - Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.

30.. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos...

Escandaliza- se com a farra das passagens aéreas...

Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?

E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!

Vamos dar o bom exemplo!

Espalhe essa idéia!

"Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos..."

Amigos!
A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes, NOSSOS PRINCÍPIOS..

domingo, 15 de janeiro de 2012

Toc Toc

Quem não tem algum tipo de mania? O Transtorno Obsessivo Compulsivo, TOC, é o nome técnico das manias e neuroses que são centenas. Isso pode ir de lavar as mãos duzentas vezes por dia a conferir outras mil se a torneira ficou fechada ao sairmos de casa. Ontem eu ri feito maluco assistindo TOC TOC, em cartaz
somente até o dia 28 de fevereiro no Teatro das Artes do Shopping Eldorado.
Um elenco ótimo e situações engraçadíssimas.
Demorei a ir, estava no Teatro Gazeta e agora no das Artes. Quem quer rir DEMAIS não pode perder isso por nada.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Deus e Eu. Parte II


Oi, Deus. Tomei a liberdade de conversar com o senhor de novo, depois de tudo o que o senhor me disse outro dia.  E como eu já sei como o senhor faz, não vou aqui ficar forçando respostas, tá bem?
-...
- Hoje eu fiquei triste e com medo, muito medo. Aliás, acho que nem foi medo, foi uma coisa ruim. É que estou sozinho em casa, sem ninguém pra conversar, com saudade dos meus que estão de férias. Estou também preocupado com meu filho, sabe Deus, ele é tão esforçado e está experimentando uma decepção. Ou eu estou. Coisa de vestibular, sabe Deus?
-...
- Ele esteve fora do país, aprendeu outro idioma, voltou pra cá, passou de ano, mas não foi lá super bem no vestibular como desejava. Escolheu uma coisa difícil, sabe? Acho que o senhor gosta de engenharia, não gosta? Os engenheiros constroem coisas, estudam os fenômenos, combinam forças, elementos e energias e mudam um pouco o mundo. É isso que ele deseja ser, mas é um pouco difícil, né?
-...
- Mas eu fiquei hoje muito preocupado, até chorei um pouco. Sabe o que é? Sou meio medroso, tenho preocupação com coisas que acontecem ou que nem acontecem, sem que eu saiba por que.
-...
- Vou explicar para o senhor: digamos que eu receba uma conta atrasada; odeio atrasar contas, pago tudo em dia, odeio ficar devendo, ficar com o que não é meu, sabe? Aprendi isso com meu pai, muito bravo. Ele me dizia que o que é meu é meu, mas o do outro é do outro e eu levo isso a sério.  Estou certo, não estou?
-...
- E quando aparece um aviso me ameaçando com um tal de SPC? O senhor sabe o que é isso, não sabe? Como sujar o nome da gente assim, de graça, sem que a gente sequer sabia que tinha uma conta atrasada? E de dez reais! Mixaria, né Deus?
-...
-  Morar em condomínio é isso, algumas contas não aparecem na caixa e a gente ainda quase fica de nome sujo. Por isso coloquei tudo no débito automático. Seu filho disse aqui um dia que é para darmos a César o que é de César. Eu sou César de nome, mas não faço muita questão que me dêem minhas coisas não... tomo prejuízo que só vendo. Melhor do que prejudicar os outros, o senhor não acha?
- ...
- Ah, tá bem, esqueci que o senhor prefere ficar quieto quando eu desato a falar.  Desculpe estar incomodando, mas é que hoje eu, mais uma vez, fiquei encucado, com medo de perseguição.
- Esse medo me acompanha há tanto tempo, Deus... já gastei alguns milhares de reais em terapia, mas não melhorou muito não, ajudou. É que qualquer comentário negativo sobre mim, qualquer crítica, qualquer notícia ruim, tudo eu acabo me colocando como o culpado número um por ter acontecido. Isso é meio loucura, não é Deus?
-...
- Por exemplo, hoje o telefone da empresa não aceitou que eu ligasse para meu próprio celular... uma mensagem estranha dizia que meu número foi bloqueado.  Me deu um medo... comecei a pensar no que eu teria feito de errado sem querer, para meu número ser bloqueado. Afinal, por que senti isso? Tenho certeza que tudo o que faço é certo, quero fazer bonito. O senhor sabe me dizer se é mania de perseguição?
-...
- Tá bem... sabe, Deus, meus amigos me disseram que isso é defeito e o técnico disse que essas coisas têm acontecido ultimamente com outras pessoas. Mas não consegui ter sossego. Que sofrimento eu carrego sendo assim, meu Pai. O senhor não tem pena de mim?
-...
- Tá bem, desculpe de novo. Estou falando feito matraca outra vez. Fui ao Centro Espírita, pra ver se recebia um passe, mas cheguei atrasado,  chuva, saí tarde da empresa... a moça de lá já me recebeu se despedindo... a sessão havia acabado mais cedo e eu cheguei tarde. Culpa minha, não é Deus? Eu sei que foi culpa minha.
-...
-  A moça me olhou e disse que eu estava com uma cara triste. Ela nem me conhece direito, mas disfarcei e disse que não era nada. Não queria incomodar uma pessoa que já estava se preparando para sair. Ela é tão simpática e deve ter coisas à beça pra fazer, não é Deus?
-...
- Cheguei em casa sozinho, claro, fiz um miojo e tomei um calmantezinho pra desacelerar o coração, faz bem, o senhor não acha?
-...
- Liguei para minha família... falei da minha aflição à minha esposa que, coitada, já me conhecendo como poucos, respondeu: “ já vai começar de novo, né?”
- Ah, meu Deus, como eu gostaria de não ser assim, de achar que essas coisas acontecem com qualquer um, que meu filho tem o direito de nem sempre ser vencedor absoluto...
- Eu tenho certeza que nunca me aproveitei de nada que não fosse honesto... estou certo, não é Deus? E se fiz alguma coisa meio errada num passado distante, já paguei com juros, isso estou certo. E se ainda faço, é de bobeira pura.
-...
- Sentei no sofá da sala e me abracei. Foi ali, quieto, com  um pouco de medo, que me acalmei. Fui buscar o senhor dentro de mim, como o senhor me ensinou outro dia, para ver se esse fogaréu de medo refrescava um pouco.
- Deu certo, sabia Deus? Comecei a ter umas sensações boas, daquelas que vêm sem palavras, mas que fazem muitas coisas ter sentido. O problema é que minha cabeça continuava ciscando no medo. Quando eu vou me livrar de vez  disso tudo, Deus?
- ...
- As pessoas que convivem comigo nem imaginam que sofro desses assaltos que  me tiram do foco. Disfarço bem. Acho que já falei muito. Desculpe se lhe incomodei de novo. Acho que vou dormir, o remédio está fazendo efeito.
- Você não me incomoda. E não vai dormir agora, já que me chamou.
- O senhor falou comigo de novo? Que legal!
- Eu já falei quando você estava lá no sofá. Agora estou apenas usando palavras. E desejando que as divida com mais alguém que possa precisar.
- Obrigado, Deus.
- Aquiete-se sem pensar em nada. Deixe-me dizer umas coisas.
- Claro, deixo sim.
- Então deixe. Sossegue.
- Opa.
- Opa digo eu. Acalme-se ao menos um minuto e acredite que estou dentro de você e nunca saí daí.
-...
- Filho meu, seu dia foi normal. Você é pago para produzir e fez isso hoje. Você é pago para resolver problemas e criar soluções e tenho certeza que fez isso hoje de sua melhor maneira. Sua vontade é acertar.
- O seu problema é ficar seguindo o que disse o Sartre, aquele francês que andou por aí no século passado e falou uma coisa muito interessante: “o inferno são os outros” .
- Você vive nos outros. Aliás, você não vive, você sofre nos outros. Só existe uma coisa quanto aos outros que deve ser levada em conta: não fazer a eles o que não quer que eles lhe façam.
- Você tem seus demoniozinhos e anjinhos aí dentro. Eu fiz você assim, mas só sobrevivem aqueles que você alimentar. Você já leu isso algumas vezes.
- Você fala demais. Julga os outros quase o tempo todo. Quantas vezes lhe peguei se arrependendo de julgar no exato momento em que julgava? Bom, pelo menos isso é  sinal de que está se vigiando.
- O problema é que, com isto, você acha que os outros estão o tempo todo lhe julgando e com os mesmos valores que traz consigo e que lhe denunciam, condenam e lhe jogam na prisão sem direito à defesa. Eta imaginação fértil essa que lhe dei, mas como é mal administrada!
- Acalme-se. Ficar sozinho em casa é uma boa oportunidade para conversar comigo. Eu sempre vou lhe responder, mesmo que não use palavra alguma, você sabe que o fluxo de calor e alegria que conseguimos atingir juntos é impressionantemente agradável. É bom de verdade. Lembre-se do sofá.
- Nossos filhos, e eu os tenho aos bilhões, se decepcionam todos os dias e aprontam também...isso é crescimento, é experiência. Quantas vezes você já se decepcionou de verdade? Não estou falando de neuroses provocadas pela influência da sua atual condição, estou falando de sofrimentos reais... vai me dizer que não se decepcionou quando seu primeiro filhinho, com apenas um dia de vida, voltou para a pátria de onde veio?
- Você acha que eu não fiquei triste por você e por sua esposa? Claro que fiquei, mas afaguei o menino de forma ainda mais forte e o vejo todos os dias se tornando um ser de luz. Na época você  quase morreu de falta de ar porque não sabia nem chorar.
- Até agora você não entendeu o que houve. Um dia, quando você menos esperar e deixar que eu fale dentro de você, a compreensão virá. E acredite, compreender é muito melhor que entender, falei isso da outra vez.
-  Esse momento que seu filho está experimentando nos estudos  é crescimento. Cabe a você deixá-lo crescer, sem estragá-lo com pena. Apoie-o, curta-o e respeite-o. Ele tem seu tempo e sua vida. Você está aí para ampará-lo, não julgá-lo, pois eu não faço isso com você.
- Buscar ajuda no centro espírita não é mau negócio, mas buscar pena dos outros é inútil. O máximo que você vai conseguir é fazer uma pessoa de bom coração se preocupar por não poder lhe devolver a alegria, pois vê a tristeza de seus olhos e nada pode fazer, sabe por que?
- Porque sem me acessar, nenhum apoio externo é válido. Acesse-me como já aprendeu a fazer e a ajuda externa, os passes, a confissão, a terapia, o joh-rei, o sal grosso e até mesmo o remedinho controlado que você anda tomando, lhe poderão ajudar. Mas é só ajuda.
- A verdade mesmo vem é de dentro, vem de mim, que lhe fiz, que moro dentro de você e dentro dos que podem lhe ajudar. Só que se sua mente não sossegar, se sua conversa interna não se acalmar, eu fico esperando dentro de você e dentro de quem quer que queira lhe ajudar, por maior que seja a boa vontade da pessoa.
- Que medos são esses das contas atrasadas, das mensagens na caixa de correios, das gravações do telefone, dos recados urgentes ou de spams no e-mail? São medos de coisas que você até pensou em fazer, mas acredite, NÃO FEZ.
- Demoniozinhos e anjinhos convivem aí dentro, já lhe disse, para que você possa fazer suas escolhas com seu livre-arbítrio. Eu estou o tempo todo lhe aquecendo, mas desde que me acesse, que respire fundo, feche sua porta como ensinou me filho Jesus e ore em seu aposento, que é seu interior, o melhor lugar do mundo.
- Nesse momento, demoniozinhos e anjinhos se aquietarão, pois uma voz mais alta e sem palavras vai se levantar e colocar água fresca nessa fervura de medos, ansiedades, neuroses, preocupações e remorsos.
- E não espere que essa sensação gostosa dure para sempre sem esforço. Você não consegue segurá-la racionalmente, mas só com o coração. E essa sensação não se mede em minutos, pois eu não trabalho com o tempo. Isso para mim não existe.
- Sinta o impacto da felicidade que eu lhe dou, como a força de um relâmpago. Como fiz ali no sofá. Veja o tamanho de seus atos e deixe de se achar onipresente e onipotente, isso é para mim.
- Pratique o desapego, pois seu medo é de perder o que não lhe pertence. Nada é seu, lembra-se?  Eu lhe emprestei tudo e não lhe contei nem vou lhe contar quando vou chamá-lo de volta. E pelado. E sozinho.
- Depois de tudo isso, ainda vai perder a chance de ver as belezas que existem aí por causa de cartas de cobrança, manias de perseguição ou porque “os outros” de Sartre pululam dentro de você?
- Você verá que sua vigilância que alimenta os anjinhos e leva a inanição aos demônios faz sua luta ser profícua. Nesse momento, você vai perceber que o universo não se prejudicou por nenhum ato seu. Você é só você, nada mais.
- Não se culpe por pensamentos esquisitos e eventuais fantasias. Isso é coisa da mente. Ela foi criada para isso. A maior virtude está em não fazer a ninguém o que não quer que lhe façam. Se isso está em dia, deixe que se abra uma janela para sair esse fluxo de neurose e entrar uma lufada de ar fresco que eu conduzo para dentro de você. É um instante só. É um pequeno momento no qual você se dá conta de que só está neurótico porque quer, porque o “inferno é o outro”.
- Haja o que houver, seja o que estiverem fazendo com você, viva. Meu filho mais perfeito, que não precisava descer à carne a não ser para ensinar, foi caluniado, cuspido, machucado e é pura Luz. E me dá tanta alegria.
- Isso é o que eu desejo para você, mas não posso abrir mão de inseri-lo nesse turbilhão de coisas. Apenas aconselho: não se apoquente com o que não é real,  porque de realidades e sofrimentos a vida já tem um quinhão bastante competente para ser balanceado com as maravilhas que também estão aí.
- Escolha ser feliz. Faça isso quando estiver com medo dos “outros”, porque se seguir a única lei que realmente vale, você  não terá motivos para ansiedade. Viva como os lírios do campo que não tecem nem fiam, mas que se vestem melhor que Salomão. Aliás, nessa passagem meu filho Jesus mandou muito bem.
- E vá a um parque de diversões, assista uma comédia, encare um sorvete daqueles enormes e faça uma reflexologia, tudo isso de uma vez. E na hora em que estiver dando risada pra valer, lembre-se que estou dentro de você me divertindo.
- Senhor, estou sem palavras. Acho que vou dormir sonhando com essas coisas.
-...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Eu e Deus







Outro dia li um livro onde o autor conversava com Deus.  E como falavam. 
Perdi a conta de quantos diálogos maquinei comigo ou com minha mente nessa vida.
 Como gosto de escrever,  resolvi também reproduzir meus diálogos resumidos com Deus. Se Neale Donald Walsch, autor de “Conversando com Deus” achar ruim, paciência.
Espero que ele tenha compaixão por um sujeito que se mete a escrever mas não tem, nem de longe, a pretensão de ser um escritor como ele. Vamos à conversa, então.

- Olá Deus. Tudo bem?
- ...
- Er... desculpe incomodá-lo, mas o senhor não me respondeu.
- ...
- Tá bem, desculpe. Acho que não estou sendo conveniente, não é?
- ...
- Não é?
- ...
- Hm... vou tentar de outro jeito: Pai nosso, que estás no céu, santificado seja vosso nome...
- ...
- Seja feita vossa vontade...
- ...
- Nossa... devo estar fazendo algo errado. Pelo jeito,  o Senhor, nesse silêncio todo, só me leva a concluir que os agnósticos estão corretos. Ponto final.
- ...
- Eu disse PONTO FINAL.
- ...
- Lá lá lá... não estou nem aí... lá lá lá... não quer falar, não fale.
- ...
- Sabe o que é? Não vou esperar resposta nenhuma, vou falar assim mesmo... ando encucado com um monte de coisas: porque existimos, porque estamos aqui, porque somos tantos num planeta que não suporta mais a gente, porque nunca sabemos se há mais alguém nesse espaço todo que dizem ser infinito... aliás, deve ser infinito mesmo, porque se tiver um fim, o que haverá depois?
- ...
- Por que o senhor fez a gente?
- ...
- Já sei, pra não ficar sozinho...
- ...
- Mas se o senhor é tudo, não precisava de companhia.
-...
- Aliás, eu não acredito que o senhor seja do jeito que me ensinaram no catecismo, sabia? Aquele senhorzão barbudo, sentado eternamente num trono lá no meio das nuvens, mandando raios e trovões, castigando quem não vai à missa aos domingos, monitorando palavrões que os menininhos feito eu aprendiam a falar, tomando conta do que fazíamos escondidos brincando de cabra-cega com as meninas, comendo hóstia, furando besouro com agulha...transando com galinha... não que eu fizesse isso, mas o que vi de menino fazendo isso na roça... e as coitadas morriam depois. Será que aqueles meninos, hoje pais de família, já estão com suas vaguinhas no inferno?
- ...
- E quer saber mais? Não acredito nessa história de diabo não. Aqui na terra tem tanta igreja que fala no diabo! Outro dia escutei num programa de tevê um sujeito que falou a palavra diabo umas cem vezes e a palavra Deus umas quatro.
-...
- Por que será que o senhor iria criar ou permitir que um outro ser fosse tão poderoso como o senhor e levasse suas alminhas, filhas suas, para um lugar calorento, cruel, por toda a eternidade, só porque faltaram a umas missas no domingo ou falaram meia dúzia de palavrões ou transaram com algumas cabritinhas? Explica isso pra mim, por favor. Eu espero.
- ...
- O mundo é cheio de coisas que se mexem, cheio de bichos feios, pequenos e grandes, alguns até venenosos, todos comendo uns aos outros. A natureza, quando a gente vê naqueles documentários da discovery, mete um medo danado... por que o senhor criaria uma coisa assim tão violenta?
- ...
- Tá bom, pode ficar caladão aí, eu sei que não mereço resposta mesmo, sou um bostinha n’água... um coitado... um nada... o senhor não tem pena da minha insignificância, nem vai me mandar, pelo menos, calar a boca?
- ...
- Agora eu vou pegar pesado então: por que minha sobrinha, de apenas seis anos, teve de ir dormir chorando outro dia e eu tive de lhe contar historinhas malucas para distraí-la, porque estava ela morrendo de medo da retrospectiva de 2011? Por que o senhor deixou tantos barrancos desmoronarem, tantas pessoas morrerem, tanta chuva exagerada, tanto acidente, tanto crime?
- ...
- Ah...pergunta clássica:  por que uns nascem aleijados, faltando membros, outros nascem em berço de ouro, uns nascem na Somália e outros no Canadá? Por que existem baratas, pulgas, amebas e bactérias que provocam doenças?
- ...
- Tá bom, não tem resposta... então por que a lavadeira que cuida da minha roupa teve uma filha com paralisia cerebral  que morreu aos treze anos depois de uma luta danada sendo levada pela mãe no colo pra baixo e pra cima? E por que a mãe dela, antes mesmo da menina morrer, pegou lupus e está que quase não consegue mais trabalhar pra sobreviver?
- ...
- Eu falei que tinha muitas dúvidas... porque os políticos exploram os eleitores, que votam neles em troca de dentadura? E por que eles continuam cada vez mais ricos e poderosos, enquanto nem a verba para as enchentes e desastres é levada para onde precisa?
-...
- Tem mais... por que crianças morrem, por que morreu o Betinho, que mesmo com AIDS, fez uma campanha que juntou toneladas de comida para os pobres e por que permanecem vivos uns certos políticos que só sabem desviar para si o dinheiro do povo? Por que o senhor deixa isso acontecer?
- ...
- Quer saber? Desculpe se estou sendo grosso, mal-educado ou o que for, mas não acredito que a gente tenha sido feito sob sua imagem e semelhança. Tem muita coisa diferente só aqui na terra mesmo, pra que o senhor tenha feito apenas um ser parecido com o senhor.
-...
- Nem provocando eu consigo fazê-lo falar... pois eu acho que a gente é só uma mistura de acasos, moléculas que se juntaram numa dança magnética que deu no que chamamos de vida e que vai acabar num estalo. Ou quando o sol inchar e torrar essa coisa toda. Ou quando os talibãs conseguirem suas ogivas nucleares e as apontarem para o ocidente.
- ...
- E fica todo esse povo rezando, olhando pra cima... que cima... que baixo... não tem em cima, não tem embaixo, é tudo a mesma coisa... estamos numa bolinha de nada, um cisco de coisa nenhuma, rodopiando no meio de um monte de outras muito maiores e muito menores, tudo girando num espaço que mistura tudo. E deu.
- ...
- E tem outras coisas...  tudo nasce e morre, tudo...e a gente ainda tem consciência de que vai morrer, que vai acabar... inveja do macaco que não sabe disso!  Pra que sofrer desse jeito, pra que essa busca desenfreada pela sobrevivência, se no fim vai acabar tudo mesmo?
-...
- Nunca vi ninguém que morreu voltar pra contar se está vivo em algum lugar. Morreu, acabou. Igual quando fui operar outro dia e tomei uma anestesia geral. Não vi nem senti nada, coisa nenhuma. Foi um silêncio só. Quando voltei, me disseram que se passaram mais de duas horas e eu nem tchum. Morrer deve ser isso, com a diferença que nesse caso eu voltei e nem sei o que aconteceu.
- ...
- Tem gente que diz que fala com o senhor. Outro dia vi um filme no qual o senhor emprestou seus poderes a um homem e ele bagunçou tudo. Num outro, sei lá o nome,  as pessoas iam para a Índia e conseguiam atingir um tal de nirvana e diziam estar com o senhor... li uns livros de um tibetano meio falsificado que dizia que na meditação conseguia ver a aura dos outros e até adivinhar o que estavam pensando. Lá na Índia mesmo tem um que diz que adivinha os sonhos dos outros e faz curas. O que o senhor me diz disso?
-...
- Tá bem, não precisa dizer nada não... outro dia eu conversei com umas pessoas da umbanda e elas me disseram que conversam com espíritos. A mesma coisa me disse um amigo espírita que eu tenho. Ele disse que vê coisas e até conversa com as almas. Eu nunca vi nada. A única coisa que eu sei é que as pessoas morrem de medo desses assuntos. Afinal, isso é verdade ou não?
- ...                              
- Tá bem, não falo mais nada. Vou me aquietar. Acho que já reclamei muito... ah, só uma coisa, a Bíblia. Foi o senhor mesmo que escreveu? Fala sério.
- ...
- É, porque aquilo lá é um livrão. Confuso que só vendo. Na primeira parte, é só história dos judeus. Tem uma passagem em que o senhor testa a paciência do Jó, coitado, a ponto de deixar o sujeito na miséria só pra provar que ele amava o senhor. Não gostei daquilo não. Tem outra parte em que Moisés vai lá pro alto e volta com as tábuas da lei escritas pelo senhor. Por que só naquela época o senhor escrevia? Parou agora?
- ...
- E o novo testamento, que conta a história de Jesus?  Uma porção de milagres e ressuscitações que  só aconteceram naquela época. E os quatro evangelhos, que só foram escritos um tempão depois que Jesus morreu? Iimagina o boca a boca que foi aquilo até alguém resolver escrever alguma coisa? E fiquei pasmo quando soube que os evangelistas não eram exatamente Lucas, Marcos, João e Mateus, mas um monte de gente que resolveu colocar o nome deles lá.
- ...
- Ah, eu disse que ia ficar quieto mas não consigo... foi descoberto outro dia que os fatos narrados nos evangelhos não coincidem com os fatos históricos. Por exemplo, não houve censo algum naqueles tempos, não há notícia de nenhuma matança de inocentes, nada disso está registrado na história oficial... chegam a dizer que Jesus nasceu no ano 6 depois de Cristo, como pode? Ele nasceu depois dele?
- ...
- Falei muito, né? Acho que vou me calar. Acho que se eu continuar vou acabar ofendendo muita gente que ler isso. Como sei que o senhor não vai me responder diretamente, como fez com o Neale Donald Walsch... vou me retirar.

- Não, fique aí.

- Como? O senhor falou comigo?

- Não sei, o que você acha?

- Eu não acho nada...

- Acha, sim... achou tanta coisa lá em cima, olhe só quanta coisa você achou.

- Desculpe, eu...

- Desculpa nada. Que desculpa? Você falou alguma mentira?

- Não sei... falei o que andei lendo, o que andei concluindo, o que andei vendo e andei pensando, só isso, não me leve a mal.

- Levar a mal? O que é exatamente levar a mal?

- Não acredito que o senhor esteja falando comigo... isso só aconteceu com Moisés, Maomé e Jesus.

- E o Neale Donald que você citou.

- É...

- Eu estou dentro de você e acho que você já ouviu muitas vezes falarem sobre isso.

- É, mas...

- Cale-se agora, pois quem vai falar sou eu.

-...

- Cale a mente também, não só a boca.

- ...

- Você não está calado como eu preciso que esteja.

- Como fazer isso?

- Não pergunte. Apenas ouça e não conclua nem raciocine sobre nada. Respire fundo. Aquiete-se. Acalme esse espírito que fiz e onde estou dentro.

- ...

- Shhhhhh....

- ??

- Shhhhhh.... silêncio... respirando... está tudo escuro.

-
- Muito bem. Eu estou dentro de você e nunca saí daí. Eu estou dentro de todos e sou todos ao mesmo tempo. Toda vez que tentam me definir, vocês estão usando o maior milagre que consegui criar: o livre-arbítrio. E toda vez que me definem vocês me criam. E isso é falso, pois vocês não podem me criar, eu os criei. E crio. E sustento.

- Toda definição de mim é feita com palavras e eu as estou usando aqui porque, por ora, não há forma melhor de vocês me entenderem. A palavra é um dom de sua espécie que permite um pouquinho mais de aproximação do que eu sou. Mas não se esqueçam: toda criação pode falar. Alguns seres o fazem de forma mais rudimentar, mas fazem.  Eu estou em todos.

- Não há tamanho que defina a superioridade de qualquer um dos seres que se manifestam nessa terra. Todos, infinitamente todos, têm a mesma importância, o mesmo tamanho. A terra é pequenina como um grão de areia... mesmo o maior dos planetas, milhares de vezes maior que ela, é miseravelmente pequeno porque tudo é infinito. Portanto, não há tamanho, não há distância. Não é assim que se define o que é mais ou menos. Porque não há mais ou menos.

- Suas dúvidas são simples, como simples ainda é você. Ver o mundo do jeito que você vê é o que você pode fazer por ora. Você vive em três dimensões. Tudo aí se resume ao número três:  altura, largura, profundidade... passado, presente, futuro... alto, médio, baixo... esquerda, direita, centro... pobre, remediado, rico... bonito, aceitável, feio... preto, cinza, branco... sim, não, talvez.

- Você não pode ver nada nem concluir nada diferente das coisas que me disse. Por isso não sei como poderia levá-lo a mal.

- Sua essência, você de verdade, criada por mim e parte de mim, está confinada, por enquanto, a essas dimensões. Sua mente, criada para servi-lo nesse estágio que dura para mim apenas alguns milésimos de segundo, para usar o instrumento que você pode entender, que é o tempo, é mesmo feita para lhe causar esses embaraços, para que você possa pensar, concluir, indignar-se, revoltar-se contra mim e contra todos, conformar-se, aceitar, experimentar.

- Esse turbilhão de acontecimentos, da tragédia à comédia, do desmoronamento à reconstrução, do egoísmo ao altruísmo, do preconceito à aceitação, da arrogância à humildade, do caos à ordem, da seca à enchente, da miséria à opulência, do sonho ao pesadelo, da sobrevivência à defesa, da doença à cura, do nascer ao morrer, tudo é feito para ser experimentado. E confundido.

- Nada está errado. Questionar já é o maior sinal de evolução. Tudo o que se move é sagrado, disse o Beto Guedes num momento em que me ouviu, ao fazer o silêncio que pedi a você que fizesse. E tudo o que não se move também, mas isso ele não disse pois saiu do silêncio muito rapidamente.

- Durante essa rápida experiência de três dimensões que você está vivendo,  aproveite alguns momentos de paz que lhe dou para prosseguir. Observe o absurdo dos absurdos que é a borboleta saindo do casulo. Você já viu uma coisa dessa acontecendo? Aproveite para ver a flor se abrir. Você já parou para fazer isso uma vez que seja? Não é no tamanho das coisas que o milagre acontece.

- Durante esses momentos rápidos de idas e vindas à essa terrinha, aproveite para respirar fundo, sentir o calor do fogo, ouvir a canção dos grilos, embalar um bebê. São  canduras que coloco no meio dessa imensa confusão.

- Aproveite e suba nas árvores, procure as laranjas. Aprenda a tecer uma rede e amarre-a entre duas árvores para dormir. Aproveite o riacho ao lado para despertar desse sono.

- Mesmo nos mais áridos desertos, coloquei uns bichinhos engraçados para viverem e serem observados.

- Não se preocupe. A vida não é para ser fácil. Nunca disse que seria. As belezas estão aí, como estão as tristezas.  Eu estou no contraste. Estou na dor, estou no que aparentemente é injusto. Você chegou a um estágio que lhe dá condição de questionar, de perseguir uma resposta que não há. Ainda.

- Sinta-me no silêncio das coisas que não se explicam. Sinta-me no momento em que sua mente se aquieta, quando suas palavras não conseguirem explicar suas dores e aflições.

- Sinta-me quando alguma coisa sem explicação acalmar seu coração como uma anestesia parecida com aquela de sua cirurgia, mas que lhe mantém acordado.

- Sinta-me quando as cores e os cinzas da vida voltarem a mexer com seus sentimentos, quando os contrastes das dores e amores lhe impulsionarem a viver.

- Sinta-me quando questionar as coisas.

- Ouça minhas palavras quando elas não forem palavras, mas um impacto de força que lhe dá a compreensão, não apenas o entendimento.

- Ouça-me em seu absoluto silêncio, na ausência de qualquer pensamento, no intervalo de sua respiração e no espaço entre palavras e letras.

- Ouça-me pois lhe direi que nada acontece para o mal.

- Ouça-me sozinho, em seu interior, pois só ali estarei inteiro para você, como estou inteiro para quem me quiser acessar.

- Ouça-me calando-se e aceitando seu livre-arbítrio, responsável por muitos dos desequilíbrios que você vem observando nas suas, por enquanto, pobres três dimensões.

- Ouça-me, com ouvidos de ouvir, que chegará a hora em que dimensões completamente diferentes se abrirão e você poderá, muito mais que entender, compreender as dores e viver os amores.

- ...

- Hein? Senhor? Que aconteceu?

- ...

-  Como é mesmo esse negócio de amores em outra dimensão? Acho que perdi alguma coisa...

- ...

- Senhor?

-...

- Senhor?

sábado, 3 de dezembro de 2011

Estou velho... que bom! (não é um texto meu)



Às vezes recebo textos muito bonitos, pena que não assinados. Esse veio pelo e-mail, enviado por minha sogra. É sobre ficar velho. Gostei muito e por isso posto aqui. Tomo a liberdade de ajustar um pouco aqui e ali, mas sem macular a essência do autor anônimo.

Segue:

"Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa e minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.

Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável e menos crítico de mim. Tornei-me meu próprio amigo.

Eu não me censuro por comer biscoitos extras, ou por não fazer minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como aquela escultura de cimento que parece tão “avant garde” no meu pátio.

Eu tenho direito de ser desarrumado, extravagante.

Vi muitos amigos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? 

Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 e 70 e se, ao mesmo tempo, desejar chorar por um amor perdido... Eu choro.

Vou andar na praia em um short esticado sobre um corpo decadente e mergulhar nas ondas com abandono se quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros.

Eles também vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes meio esquecido, mas há algumas coisas que devem ser esquecidas. Eu me recordo das importantes.

Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado.

Como não pode ser de quebrar o coração quando se vai um ente querido ou quando uma criança sofre ou quando algum animal de estimação é atropelado e morre?

Corações partidos são os que dão força, compreensão e compaixão. Coração que nunca sofreu é estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

Eu sou abençoado por ter vivido o suficiente para ter cabelos brancos e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos no rosto.

Muitos nunca riram direito, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.

Conforme se envelhece, fica mais fácil ser positivo. A gente se preocupa menos com o que os outros pensam.

Eu não me questiono mais. Ganhei o direito de estar errado.

Eu gosto de estar velho.  Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou por aqui, não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido ou me preocupar com o que será.

E vou comer sobremesa todo dia, se me der vontade."

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Eu não sou mim. Mim não sou eu.



Quem são os egos, quem somos?
Somos egos inflados, alterados. A luta contra o ego faz-nos andar em estradas menos tortuosas e respirar ares mais límpidos. O ego é projeção da mente, essa moça que ao invés de estar a nosso serviço, gosta de ditar regras. Atenção, pois: o que pensas não é o que és. A tua opinião e vontade de sobressair-te não é mesmo uma vontade tua. Os que, como eu, aparecem sem querer, falam sem saber e escrevem sem porquês, o fazem porque simplesmente foram produzidos de muitas formas para tais coisas.
Muitas vezes questionei o ego, busquei nele culpa por ser assim, falante, choroso e risonho, envolvido com tantos. Descobri que quem buscava esse ego não era eu. Descobri que minha mente, aprendiz da vida, dos conceitos, preconceitos, histórias e palavras, é quem quer tudo saber.
Em silêncio, porque o barulho não faz bem e o bem não faz barulho, descobri, num pequeno salto, que todo esse ruído, todas as perguntas e todas as respostas são da mente, feita para fazer isso, para viajar no tempo e procurar respostas que não precisam existir.
Isso eu descobri no silêncio. Uso a mente, aqui, para expressar que no silêncio pude ver que nada sou eu, nada é feito pelo meu eu. Eu não sou mim e mim não sou eu, como diz Rita Lee.
Descobri que não posso me criticar, nem me recolher, nem me esconder. Descobri que faço o que faço porque assim estou, assim funciona uma mente que aprendeu a ser assim e só a silencio, agora, se quiser e puder. E nem sempre quero, deixo. E nem sempre posso, perco.
Descobri eu sou minha essência e essa é inacessível. Está quieta, guardada nos espaços e nos silêncios entre essas palavras, entre a sístole e a diástole, entre o inspirar e expirar. Ali estou eu. Ali está quem observa tudo e apenas sorri quieto, sem barulho, porque o resto é mente, é ego, é resultado do que foi feito de mim, para eu viver no mundo manifesto. Olho, observo, sorrio e aprendo, devagar, a controlar esse órgão que acha que está no controle.
Por isso permito que ela, a mente, me sirva e me faça fazer o que faço. E me faça sorrir e fazer rir. E me faça abraçar, recordar, chorar e ser. E mais não pode fazer, porque, no silêncio dos intervalos, eu, aqui, quieto, digo à mente que aqui escreve: o que está entre as palavras é quem sou eu. O resto é mim. E eu não sei o que sou. Porque apenas observo, não sou observado, apenas respiro e aprecio o silêncio que cultivo entre as peripécias da mente. E me divirto também com ela. E vivo nos intervalos. Sem saber quem sou eu. Ou quem é mim.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Coisas que fazem a cara da gente esquentar



Essa figura aí é do AMIGO DA ONÇA, famoso personagem criado pelo pernambucano Péricles e que teve sua primeira tirinha publicada em 1943 na extinta revista O CRUZEIRO.

Personagem engraçado, colocava seus amigos em roubadas dignas de verbete de enciclopédia. Pois é nesse sujeito que penso quando assisto a atuação de muitos dos amigos do atual governo. Eles veem se esforçando para copiar a criação do Péricles, mas, infelizmente, não conseguem obter a mínima graça. Aliás, a coisa está mais para tragédia.

O tal ministro do trabalho, com a cara mais esquisita e sem graça do mundo, tenta mostrar ao Brasil que é inocente, que não voou em avião particular algum, nem que tem qualquer relação (que depois disse ser pessoal) com o empresário dono da ONG que licitou de formas estranhas junto a seu ministério.

Dia 10 de novembro ele falou coisas com convicção e força, fez caretas, bravateou à vontade, se disse  pesadão, vulnerável apenas à bala e bala de calibre pesado. Disse que o partido pagou a viagem e o partido negou.

Tomou alguns pitos e apareceu pública e pateticamente pedindo desculpas à presidente, dizendo que a amava.

Tomou mais alguns pitos e voltou, convocado,ao Senado para esclarecimentos. Estampou, agora, uma cara de pena aos Senadores, fez menos caretas e disse ter se enganado aqui e ali.  O Senador Alvaro Dias sugeriu que pedisse perdão ao povo por ter mentido. Saia justa.

Que festival patético. Que sequência de coisas inacreditáveis. E, pela primeira vez, que falta de auto-estima, para não dizer o mínimo.

Outros ministros, demitidos, provavelmente serão processados por improbidade administrativa, o que deverá também ocorrer com esse Lupi. Só que esse é o primeiro que demonstra um apego tão ferrenho à sua pasta. Parece desesperado por não perder o emprego! Pelo menos é esta a impressão que causa nesse escriba.

O do esporte se disse invencível e despencou depressinha. Esse se disse "pesadão" e talvez demore mais um pouquinho para cair, até porque um "pesadão" quando cai abala estruturas. E o pior: a pasta é do partido dele, do PDT. E ele é o presidente afastado do partido. Belo enrosco essa "base aliada da governabilidade" está provocando.

Não tenho absolutamente nada contra nem a favor de partido algum, até porque, na juventude filiei-me ao PSB e nem sei se ainda estou nele, nunca exerci nada eleitoreiro na vida, preferindo enveredar-me por caminhos bem distantes de política partidária.

Só que, diante de tantos fatos, estampados e notórios, de desvio, improbidade e falta de senso público, vejo alguns virem a público dizer que tudo é uma sórdida campanha ou da grande imprensa ou das elites ou sei lá de qual fantasma, para desmoralizar uma tal era. Estranho isso. Se a imprensa fala, é golpista. Se não fala, é conivente.

Desculpem-me, mas com amigos desse jeito, do porte desses ministros que caem um a um, o Governo da tal era não precisa, mesmo, de inimigos, nem na grande, nem na pequena imprensa, nem em lugar algum.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Tietagem



Acho que entendo a tietagem, exceto o desespero de algumas fãs quando chegam perto de seus efêmeros  ídolos. Mas entendo a tietagem.

É interessante ficar próximo, passar perto ou ver, mesmo de longe, alguém que você lê assiduamente, ouve no rádio ou vê na TV. É curioso, no mínimo.

E quando o famoso que a gente vê é também alvo de nossa mais genuína admiração pelo seu trabalho? É bem marcante.

Confesso que, apesar da minha notória expressividade (quem me conhece sabe do que estou falando), sou um tímido sem conserto. Muitas vezes me pego sem saber onde colocar as mãos quando estou perto de algum famoso, especialmente quando ele ou ela é, mesmo, uma celebridade por seus feitos e não apenas uma coisa fabricada. Mesmo perto destas já fico desconsertado, que dirá daquelas.


Não foram muitas as vezes que conversei com celebridades. Para um cara de cinquenta anos, dez deles dedicados ao rádio, teatro e jornalismo, minha atitude diante de celebridades é sempre um embaraço. Por isso a imensa vontade de estar perto e a maior ainda vergonha de encher a paciência deles.

Tenho receio de provocar no alvo de minha admiração algum tipo de reação hostil, perfeitamente possível. Afinal, são seres que, apesar da fama e do talento, respiram o mesmo ar que nós, anônimos.

Acho que tenho mais receio de minha própria reação à eventual hostilidade. Ela poderá ser um misto de tristeza e rejeição, misto que me levará ao abandono de toda admiração, trocada que seria por uma até aversão.

Como não quero incomodar pessoas potencialmente incomodáveis e nem colocar em risco minhas admirações, fico no meu canto e procuro mostrar à celebridade que porventura esteja próximo de mim, sentada na poltrona ao lado, no avião ou no banco do aeroporto, que ela pode ficar à vontade, não vou
"agredi-la" com papo furado.

Só por curiosidade, relaciono aqui celebridades de diversos ramos, com as quais interagi por força do trabalho ou pelo menos passei perto um dia, mas que me causaram algum tipo de emoção.

Políticos:
Magalhães Pinto, Aureliano Chaves, Itamar Franco, José Sarney, Antônio Carlos Magalhães, Rafael de Almeida Magalhães, Paulo Brossard, José Bonifácio Lafayette de Andrada. São poucos, graças a Deus, alguns até jáse  foram, menos o Sarney. Ah, e Marina Silva, Hélio Costa e Luiza Erundina.

Sumidades:
Emeric Marcier (pintor romeno com quem conversei um dia), Sobral Pinto (jurista histórico nascido em minha terra que um dia entrevistei), Mário Cortella (escritor e filósofo, fui seu aluno na GV), Bia Lessa (diretora de Teatro, fui dirigido por ela em uma peça do Ponto de Partida), Carlos Castelo Branco (jornalista falecido que tive a oportunidade de entrevistar), Pasquale Cipro Neto (assisti a algumas palestras dele), Maurício de Sousa (o pai da Mônica).

Músicos:
Elba Ramalho (um interessante papo sobre vitaminas, acreditam?), Vermelho (conterrâneo, membro do 14 Bis), Léo Jaime (entrevistei e perdi a fita), Gal Costa (entrevistei ao acaso em São João del Rei), Angelo Máximo (um bom bate papo recentemente na TV Bandeirantes), RPM (apresentei o grupo uma vez, em pleno auge), Yergi Shurbak (maestro da Sinfônica de Varsóvia, entrevistei), Jerry Adriani, Lenine, Carlos Dafé (apresentei um show dele), Picolino da Portela (apresentei seu show com suas mulatas, que nem abriam a boca, mas também pra quê?), Christian e Ralf (apresentei seu show), Bebeto (aquele que parecia o Jorge Benjor, apresentei um show dele), Simone (eu a vi num show em Barbacena, em 1979 , quando abandonou o palco alegando vaias que não ouvi), Nalva Aguiar (apresentei um show dela e quase roubei seu chapéu), Oswaldo Montenegro (viajei com o mesmo e assisti seu show no MPB-Shell), Guilherme Arantes, Lucinha Lins, Ivan Lins (não sei se devia colocá-los tão perto aqui, mas a memória é assim mesmo), Emílio Santiago, Nelson Ned, Wilson Simonal (que show, que suingue tinha esse sujeito), Jorge Benjor (muito bom), Baby do Brasil, Tunai (entrevistei), João Bosco (vi seu show), Jards Macalé, Zeca Pagodinho, Sérgio Reis (entrrevistei-o em pleno show, um cara mais do que simples e que show legal), Sidney Magal (no auge da carreira, ainda jovem, só não pedi pra rebolar, aí seria um abuso para minha paciência).

Atores e apresentadores:
Milton Gonçalves, Denis Carvalho, Lauro Corona, Nathália Timberg, Paulo Goulart e Nicete Bruno (conversei com eles em convenção da empresa), Raul Gil, Oswaldo Bettio (radialista da Record, frequenta a mesma academia que eu), Sílvio Santos, Chacrinha (esses lá longe), Nair Belo (viajei com ela na ponte aérea, uma simpatia), Maitê Proença (essa veio do meu lado e nem...), Ivete Sangalo (quando era ainda meio pobre e ainda viajava em avião de carreira), Fernanda Lima (pessoa simples, altos papos sobre seus meninos), Marcelo Costa (locutor e cantor sertanejo, apresentei um show dele, que arrependimento), Luiz Ayrão (apresentei um show dele e ele quase me empurrou palco abaixo), Luiz Gonzaga (esse só de longe), Paulo Storani (o inspirador do capitão Nascimento do BOPE, fiz uma foto com ele), Paulo Gracindo (já falecido, mas emprestei um gravador para sua peça na minha cidade, espero não emprestar mais nada, prefiro ficar vivo mesmo), Zora Yonara (sim, apresentadora de horóscopo), Belchior, Saulo Laranjeira (entrevistei), Derci Gonçalves (nossa, isso é uma confissão absurda de idade avançada, mas ela já era velha), Orival Pessini (o Fofão), Adriane Galisteu, Simony (quando menina ainda, no Balão Mágico).

NOTA: No dia em que entrevistei a Simony, na rádio em Barbacena, estava, no ônibus lá fora, o famoso assaltante do trem pagador da Inglaterra, Ronald Biggs, pai do Mike, um dos componentes do Balão. Minha timidez não permitiu falar com ele.

E ainda: Max Gehringer (agora é apresentador, conversei com ele na empresa), Heródoto Barbeiro (jornalista e professor, falei com ele em uma palestra, puxei saco levando seu livro para um autógrafo).

Esportistas:
Oscar, Bernardinho e Lars Grael (assisti suas palestras e arrisquei um papo), Hollyfied baiano (lutador de boxe), Túlio Maravilha (ex-Botafogo e Goiás), Falcão do Futsal (esse eu me arrisquei e tirei uma foto com ele, pois estava de ótimo humor, ele, não eu),  Nuno Cobra (meio esquisito, mas legal).

Que estranho, consegui me lembrar de quase todos os famosos que um dia vi de perto. Sinal de que, de uma forma ou de outra, a passagem deles perto de mim deixou algum tipo de marca.

Por isso digo que entendo a tietagem.

Todo mundo, de alguma maneira, tieta alguém, o que não me permite defender ataques histéricos e desmaios de meninas que se descabelam e passam fome para ver um menino quase impúbere chamado Justin. Fico com pena dos pais delas. É muita vergonha que dá., mas isso não é novo, os Beatles provocavam isso nas avós delas.