sábado, 3 de dezembro de 2011

Estou velho... que bom! (não é um texto meu)



Às vezes recebo textos muito bonitos, pena que não assinados. Esse veio pelo e-mail, enviado por minha sogra. É sobre ficar velho. Gostei muito e por isso posto aqui. Tomo a liberdade de ajustar um pouco aqui e ali, mas sem macular a essência do autor anônimo.

Segue:

"Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa e minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.

Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável e menos crítico de mim. Tornei-me meu próprio amigo.

Eu não me censuro por comer biscoitos extras, ou por não fazer minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como aquela escultura de cimento que parece tão “avant garde” no meu pátio.

Eu tenho direito de ser desarrumado, extravagante.

Vi muitos amigos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? 

Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 e 70 e se, ao mesmo tempo, desejar chorar por um amor perdido... Eu choro.

Vou andar na praia em um short esticado sobre um corpo decadente e mergulhar nas ondas com abandono se quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros.

Eles também vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes meio esquecido, mas há algumas coisas que devem ser esquecidas. Eu me recordo das importantes.

Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado.

Como não pode ser de quebrar o coração quando se vai um ente querido ou quando uma criança sofre ou quando algum animal de estimação é atropelado e morre?

Corações partidos são os que dão força, compreensão e compaixão. Coração que nunca sofreu é estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

Eu sou abençoado por ter vivido o suficiente para ter cabelos brancos e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos no rosto.

Muitos nunca riram direito, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.

Conforme se envelhece, fica mais fácil ser positivo. A gente se preocupa menos com o que os outros pensam.

Eu não me questiono mais. Ganhei o direito de estar errado.

Eu gosto de estar velho.  Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou por aqui, não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido ou me preocupar com o que será.

E vou comer sobremesa todo dia, se me der vontade."

Nenhum comentário:

Postar um comentário